quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O mundo nas costas


Você, que costuma carregar o mundo nas costas, preste atenção.
Não exija de si mesmo a solução de conflitos que não lhe pertencem, tampouco se mutile tentando satisfazer o outro. 
Não pegue para si a atribuição de modificar o próximo, muito menos sofra por não consegui-lo.
A cada indivíduo cabe arcar com as consequências dos próprios atos. Você é responsável apenas pelo que faz ou deixa de fazer, e sozinho colherá os frutos de suas escolhas.
Não se engane, acreditando que aqueles pelos quais você se dói tanto mudarão um passo em sua vida para compartilhar sua aflição.
Se pedido, aconselhe, mas não tome para si a culpa do padecimento alheio.
Um parente não é bem visto pela sociedade?  Erga a cabeça, não se envergonhe pelas falhas que não lhe são próprias.
O ente querido atua de forma questionável? Se não lhe atinge, não se doa por aquele que ele ofendeu.
Alguém lhe pediu para solucionar questões complicadas que empurra com a barriga há tempos, para que continue a desfrutar somente das alegrias da vida? Recuse sem hesitar.
Você dá seu parecer técnico, mas o chefe não lhe ouve e toma decisões equivocadas? Fique feliz pelo trabalho bem realizado; o superior responderá pelos seus atos.
Um filho deseja dividir contigo o peso da vida que decidiu ter? Diga que essa missão não lhe pertence.
Muitas vezes, a ajuda não está em fazer pelo outro, mas sim em mostrar que cada um deve tomar posição ativa nas questões difíceis que aparecem em seu caminho.
Se você atua pelo próximo, quando ele aprenderá a se virar sozinho, para que cresça diante dos obstáculos?
Não se cobre tanto... Não se transforme em avalista do universo.
Procure carregar apenas o fardo que lhe compete. Suas costas e sua alma agradecem.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Três vigas

  Acordo com uma imagem linda à minha frente: meu primogênito, de olhar doce e sorriso inocente.  Extasiada, faço um afago e penso: 'Nossa, meu pequeno está crescendo!'
   Em poucos minutos, na sala chega o segundo, carinha de menino sapeca, que me dá aquele abraço apertado de coala... 'Ah, como eu queria ficar assim por um bom tempo!'
   Que tempo que nada, já corro para tirar o caçula do carrinho: bebê precoce, de sorriso maroto, que a cada travessura me dá um olhar desafiador, de satisfação. Com ele no colo, tenho a sensação de que a família está completa.
   Assim começa o dia: comida, roupa, escola, bagunça, brinquedos, compras, banho, diversão... Uma checada na casa e me vejo no meio de um furacão.
   Mas essas três fofurinhas compensam todo o trabalho, todo o cansaço, toda a preocupação.
  Os filhos são nossas vigas, nos deixam mais fortes para enfrentar as limitações e desafios que a vida apresenta. Por eles, não nos deixamos abater, seguimos em frente diante das adversidades, certos de que amanhã será melhor. 
    Diante de sua alegria, tudo fica tão pequeno...
    Centelhas divinas, que nos ajudam a crescer.

Regra dos 3 filhos




3 x roupas + 3 x comida + 3 x brinquedos + 3 x bagunça = 3 x trabalho
                                        <
3 x sorrisos + 3 x abraços + 3 x beijos + 3 x carinho + 3 x felicidade = 3 x vida

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Inquietação

Por quê?
Será?
Pior?
Talvez.

De novo?
Resposta?
Melhor?
Quem sabe...

Onde?
Agora?
Depois?
Não sei.

Passado que volta,
Futuro incerto,
Presente inquieto.


Destruidora?


Não podemos ignorar a capacidade de raciocínio daqueles que pensam de forma diferente, que nos contestam e muitas vezes nos ofendem, pois até os desafetos vêm para nos ensinar algo.
Lutei anos contra uma imagem que eu acreditava terem, imotivadamente, atribuído à minha pessoa: a de destruidora. Sou consciente dos meus defeitos, mas isso me machucava. Muito.
Na minha tola ânsia virginiana de buscar a inatingível perfeição da alma e agradar a todos, essa definição não me parecia justa. Não combinava com todos os esforços que eu fazia para contornar os obstáculos que apareciam no meu caminho.
Mas hoje, não sei se por efeito da (matur)idade ou como resultado das reflexões sobre minhas atitudes, confesso: dependendo da ótica, sou destruidora sim.
Destruo os sonhos de quem faz planos com a minha vida e faz de tudo para realizá-los sem me consultar, ou até mesmo contrariando as minhas manifestações de discordância.
Aniquilo qualquer intenção de invadir minha liberdade, privacidade e intimidade.
Anulo todos os movimentos que tentem me desviar dos meus princípios.
Corto pela raiz qualquer anseio de plantar em minha família a semente da discórdia.                   
Derrubo do pedestal qualquer um que tente questionar meu pátrio poder, que procure meios de me considerar invisível em assuntos que me dizem respeito.
Retiro da minha lista quem declara não se importar com o que penso sobre minha vida e insiste em externar suas elucubrações sobre meu castelo. Desses dispenso telefonemas, elogios, presentes, ou qualquer coisa que demonstre simulação de harmonia.
Para defender meus direitos, se necessário, chamo meu Exército. Tropa composta de duas armas que só utilizo em casos extremos, porque sei que ferem: sarcasmo e ironia. Não é bonito, mas o que fazer?
Sim, eu admito minhas imperfeições, e uma delas é a incapacidade de esquecer o histórico de um relacionamento. Rancor, incompreensão, explosão? Sinto muito, mas com reincidente contumaz, não vejo outra opção.
E quem se sentir ofendido por ver seus desejos sobre minha vida tolhidos, que contrate um advogado. Mas que seja um procurador competente, de retórica eficiente, que me faça crer que não estou no meu juízo perfeito. Ou que convença algum juiz a me condenar por ter cerceado direito alheio. 
Quem disse que as pessoas não mudam?
Agora entendo, e não me dói ser considerada destruidora por certas pessoas, principalmente aquelas que têm um panorama enviesado da perfeição.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um pouco sobre Brasília


      
     De repente, me vejo em Brasília. O céu impressiona, esplendoroso, de um azul que eu nem imaginava existir. A arquitetura, nem preciso comentar. Confesso que a Esplanada até hoje me deixa de queixo caído.
    Algumas questões surgem. Como assim, não é município? Não há bairros, e sim regiões administrativas? Cadê os cruzamentos? Ruas sem “nome”? Como saberei o que é CLN, W2, L3, AOS, QRSW? Prédios chamados de blocos? Mansões têm fossa? Pessoas de alto poder aquisitivo constroem em terrenos irregulares? O governo doa lotes a invasores? Sem coleta de lixo reciclável? Tenho que respeitar a faixa de pedestre? Evita-se buzinar? Que valor de aluguel é esse?  Fixação em concursos?
    Realmente, Brasília tem suas peculiaridades, qualidades e defeitos, como qualquer cidade.
    E, apesar de quente e seca, a Capital Federal tem a fama de cidade fria. Os que aqui chegam sentem falta do calor humano de suas terras. Muitos não aguentam e vão embora, como um dia fui. Mas não é culpa de Brasília, e sim da saudade. Saudade dos entes queridos, dos hábitos da cidade onde fomos criados, da nossa casa. Nostalgia que engana.
    O que aprecio mesmo em Brasília é sua maior riqueza -  não a do dinheiro, a das pessoas. Pois se tem um objetivo que a construção dessa cidade alcançou, foi de reunir os brasileiros. 
   Em BSB, perdemos preconceitos e deixamos de lado muito regionalismo orgulhoso. Expressões que depreciam pessoas de outras regiões não fazem sentido algum nesse lugar.
   A riqueza da troca de culturas é tão grande, que um simples almoço de trabalho se transforma em uma aula. Quando na Anatel, me divertia muito na companhia dos colegas: baianos, paraibana, pernambucana, paraense, paulistas, brasilienses, mineiros, catarinense... Bons momentos que carregarei comigo para o resto da vida, com muito carinho.
   Em meu condomínio, tenho o prazer de conviver também com maranhenses, gaúchos, piauienses, goianos,  paranaenses, mato-grossenses, capixabas... Não importa de que Estado venham, muitos vizinhos  são companheiros nessa jornada de construir uma vida distante do calor da família, e por isso valorizam a amizade entre seus filhos. Aqui, festas infantis se transformam em diversão garantida para os adultos que não têm a casa dos pais para frequentar nos fins de semana.
  E o que dizer dos brasilienses natos? Simpáticos, amistosos - eles não desdenham do seu sotaque. Possivelmente porque foram criados por pais que deixaram os seus para desbravar essa terra tão injustiçada.  Sim, os brasilienses são especiais. E espero que o meu trio cresça assim, vislumbrando nas diferenças regionais a possibilidade de aprendizado.
   No coração do Brasil, você faz de seus colegas de trabalho seus amigos de verdade, seus vizinhos cariocas de pontos de vista tão diferentes tornam-se seus melhores e fiéis companheiros, um simples curso de formação te traz uma amizade de longo prazo, cada etapa da vida te apresenta uma nova amiga.
    Não, Brasília não merece a fama que tem. Muitos que a criticam se esquecem de que os famigerados políticos não vivem aqui.  Eles chegam na terça e saem na quinta, retornando  à cidade daqueles que os mandaram pra cá com seu voto consciente.  
   Talvez por isso ela tenha sido construída em terra abençoada... Para poupar seus habitantes de uma energia negativa equivocada.

Profissão: mãe


Quando decidi pedir exoneração de um cargo público para cuidar de meu bebê, para muitos me assemelhei a um E.T. Às vezes, quando conto minha história, ainda recebo alguns olhares arregalados. Maluca essa mulher.
Na época, alguns tentaram me convencer a desistir dessa insanidade. Doida varrida. Estudei tanto... Iria rasgar o diploma, largar uma carreira, para me dedicar a uma das ocupações mais desprezadas pela sociedade atual – mãe em tempo integral.
Pois é, eu costumo remar contra a correnteza.  O que vale é o meu sentimento, e sempre estive convicta de que não conciliaria trabalho e maternidade, pelo menos na primeira infância dos rebentos. Fraqueza ou coragem, depende do ponto de vista...
Para piorar a loucura, sempre dispensei ajuda. Nada de babás e domésticas - no máximo uma diarista, vez ou outra. Filhos na escola, só aos cinco anos. O segundo entrou com três e meio porque quis acompanhar o irmão. Tudo bem, podem chamar a carrocinha.
Só que eu enlouqueço mesmo quando ouço: “Então você só fica em casa, não trabalha?” 
Garanto que nunca trabalhei tanto nessa vida. Sem horário de almoço, descanso semanal remunerado, permissão para ir ao banheiro, direito a um banho demorado, relaxar ouvindo música no trânsito. Dia e noite na mesma rotina cansativa, estressante e sacrificante, mas ao mesmo tempo prazerosa.
Sim, eu deixei uma carreira. Mas para começar outra, que considero muito mais gratificante.  Abri mão de um bom salário, na certeza de que acompanhar o desenvolvimento de uma criança não tem preço.
Não, eu não rasguei o meu diploma. Ele está intacto, guardadinho, e os conhecimentos que adquiri não desapareceram porque me tornei temporariamente ‘do lar’.  A sensação de ficar intelectualmente prejudicada é mera enganação do cérebro. Como diz minha sábia prima, estou exercitando outro lado da sabedoria.
E ao contrário do que muitos pensam, eu tenho vida própria. Própria de quem tem o prazer de registrar todas as experiências dos filhos. De quem sabe exatamente as influências que suas crias recebem, e tem a oportunidade de corrigir as falhas no momento em que ocorrem.  De quem não precisa perguntar a ninguém o porquê de a criança estar machucada ou desanimada. De quem sabe o que o filho fez, comeu, assistiu e ouviu o dia todo. De quem não sofre por ter que deixar um bebê doentinho sob os cuidados de um terceiro. De quem está disponível quando o menino pede um abraço, um colo. De quem pode ligar para o pai e relatar uma travessura em tempo real. 
Enfim, vida. Com vantagens e desvantagens, sucessos e decepções, altos e baixos, como a de qualquer profissional.
Diferente do que consideram, não vivo na sombra de marido, tampouco sou financeiramente dependente. Somos sócios, e cada um realiza a tarefa que lhe compete na nossa empresa chamada Lar. Ele sai para trabalhar tranquilo, certo de que eu fico em casa trabalhando também.
Essa é uma realidade que faço questão de enfatizar para meus filhos. Papai trabalha fora, mamãe trabalha em casa. Nada daquele discurso feminista de que mães em tempo integral não trabalham e são submissas. Isso é balela. Bandeira de quem quer padronizar comportamentos e menosprezar o que é diferente.
O fato é que há mães que trabalham fora por necessidade, outras por desejo de sucesso profissional, e algumas optam por parar. Respeito todas, pois cada uma tem seus motivos e sabe o que é melhor para sua vida. E, como eu, devem ter ponderado o desgaste emocional que a decisão de ficar em casa ou não acarretaria. 
Mas o mais engraçado nessa vida de remar contra a correnteza é ouvir de alguns: “Nossa, que babá brava, olha como ela corrige as crianças! Ah, é a mãe? Então está explicado... ela pode”!

Escrevo porque preciso

Escrever é uma necessidade...  O pensamento chega, o texto se ajusta de forma meteórica e necessita ser externado. Um process...