Quando você ficar doente, o que vai acontecer?
Anjos humanos te ajudarão sem
pestanejar.
Generosos perguntarão como você está.
Religiosos
rezarão por você.
Retrógrados evitarão o nome daquela
doença.
Desavisados dirão que foi sorte, porque
você tem o câncer bom.
Insensíveis perguntarão o que você fez
para ter isso.
“Terá sido o estilo de vida? A água? A
mágoa? A disputa árdua?”
Autocentrados ignorarão seu momento
difícil.
Buscarão seus conselhos de vida,
despejarão mais problemas,
quando
você se arrasta para levar as obrigações do dia.
Serpentes verão uma internação como a
chance para dar o bote.
Mal-acostumados sentirão falta do que
você não pode mais oferecer.
Equivocados confundirão seus
apontamentos legítimos com desequilíbrio.
Arrogantes usarão sua fragilidade para
desprezar suas súplicas.
Sua
lucidez será posta à prova na disputa por prioridade.
Certo dia, você descobrirá que morreu:
Uma edição sua se foi. Sem velório, sem
enterro, sem uma lápide.
Sem choro nem vela, enquanto você lutava
para se adaptar à nova vida.
Seus filhos pouco se lembrarão da sua
versão inteira.
Alguns
nunca conhecerão a fortaleza que você era.
Reticentes não colaborarão para sua paz
de espírito.
Indiferentes questionarão seus desabafos.
“Você
é forte, você aguenta, tem gente que passa por coisa pior.
Ninguém
precisa se preocupar com os seus sentimentos.
Afinal de contas, você sente?”
Você precisará escolher suas batalhas.
Chorará o luto de si mesma, do respeito
que perdeu, do apoio que não teve.
Desconfiará
que, para alguns, a utilidade era seu maior valor.
Por sorte, como uma fênix que renasce
das próprias cinzas, você acordará.
Olhará para o passado com respeito e
gratidão.
E seguirá, resiliente, como sempre foi.
Novos desafios virão.
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