quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Foco



              Nesse mundo cheio de oportunidades de distração e fuga, o desafio diário é manter o foco e encontrar a felicidade no cumprimento da nossa missão. Priorizar é preciso.


3 de outubro de 2013 



terça-feira, 6 de setembro de 2016

Hombridade - a grandeza desde pequeno

Você deve se perguntar o motivo da minha indignação, meu filho. Explico. 
Jamais permitirei, enquanto estiverem sob minha tutela, que meus filhos se utilizem de subterfúgios para acalentar o ego ferido, muito menos para encobrir algo que não desejam revelar por capricho ou perfeccionismo.
Nas tentativas de induzir-me em erro e colocar a culpa total do ocorrido no irmão, haverá sempre uma reprimenda. Eu insistirei, pelo tempo necessário e sem descanso, até ouvir o desmentido.
Se porventura alguém mobilizar a família inteira para procurar um objeto dentro de casa, sabendo que o deixou no parquinho no dia anterior, minha reação provavelmente não será muito afável.  Meu amor por vocês demanda que eu não tolere tamanho desrespeito para com pessoas que perdem tempo e energia no propósito de lhes ajudar.
Que as broncas tomadas a cada tentativa de negar o que está na minha cara, como o prato que eu vejo sobre a mesa, mas você insiste ter colocado na pia, lhe sirvam de exemplo do que uma sociedade saudável não deveria aplaudir: a manobra calculada em benefício próprio ou de outrem.
Que a minha insistência em fazer acareações cotidianas, até que se assuma o desacerto, mostre o que para mim há de mais louvável: a retidão. Lutar pela verdade e não compactuar com favorecimentos ou falsas acusações não é mérito, e sim obrigação.
Cada vez que você é enfrentado e insiste em sustentar uma inverdade, você acusa implicitamente o interlocutor de mentiroso, desvalorizando a iniciativa dele de tentar esclarecer os fatos.
Ah, meu filho, no seio familiar isso poderia até ser relevado ou compreendido, mas na escola, no condomínio e no trabalho, te adianto que o resultado em tempo algum é bonito. E eu optei por educá-los sem intermediários justamente por isso: quero prepará-los para o mundo real, que grita por pessoas com hombridade.
Obviamente, não há problema algum em errar. Todos erramos diariamente, quero deixar bem claro. O erro é humano e faz parte do crescimento. Entretanto, arcar com as consequências de cada equívoco é imperativo. Imaginar que você pode manipular todos à sua volta, com invencionices para fugir das responsabilidades e sair ileso, é a mais pura tolice.
Você já saiu do jardim de infância, não tome como modelos adultos que ainda fazem isso. A mentira tem perna curta e os resultados desastrosos ultrapassam a boa intenção do seu umbigo.
Falhar, reconhecer, corrigir e mudar de postura - essas são atitudes esperadas de um ser humano de caráter.  
Errou? Admita, peça desculpas sinceras, repare o que for possível e vá em frente. Aprenda a lição e faça um esforço para não repetir a falha. Caso isso ocorra, reconheça e siga o roteiro.
Se você vai seguir esses ensinamentos na vida adulta, eu não sei. Mas preciso que você saiba que é possível dormir com a consciência tranquila, mesmo falhando todos os dias.
Apesar da promessa de nos salvar de muitos apuros, a mentira não é uma boa amiga para o dia a dia. Embora doída, a verdade liberta e é companheira da honradez. Escolha bem sua heroína, meu filho.


Da série: Para os meus filhos

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Nota política

Na arena é a rusga que rola, 
mas nos bastidores se abraçam os cartolas. 
Se o que impera é a falta de apreço às regras do jogo, 
não faço da política torcida de bola.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O aprendiz como protagonista - constatações

Você me disse que não havia copiado toda a tarefa da lousa, e minha primeira reação foi dizer-lhe o que eu não iria fazer. Em vez de solicitar que mandassem fotos pelo whatsapp, eu lhe mostrei formas de se resolver sem o meu protagonismo.
Percebemos rapidamente, meu querido, que você realmente não precisava que eu tomasse qualquer inciativa, pois saberia processar aquelas dicas e encontraria uma solução. No restaurante você encontrou um colega de sala, que perguntou sobre o trabalho a ser entregue em dois dias. Ao ouvir que você não havia terminado de copiar e que conversaria com a professora, seu amigo lhe ofereceu o caderno emprestado, com muita empolgação. Sempre serei grata por ter testemunhado o sorriso em seus rostos.
Chegando da escola, conheci o desenrolar da história. Além de aceitar a ajuda oferecida, você teve a iniciativa de comunicar à professora que não tinha terminado. Ela prontamente cedeu um tempo para que você copiasse do caderno do amigo, e agora vocês negociam quando será concluída aquela questão de português.
Em nosso diálogo sobre o assunto, algumas constatações: a) você não precisa da sua mãe para resolver todos os seus problemas; b) você pode dizer abertamente que não terminou algo, pois não é vergonha nem incomum passar por isso; c) ao contar para a professora, você superou o receio de se expor e a deixou ciente da situação; d) quando falamos de nossas dificuldades, encontramos pessoas dispostas a nos auxiliar sem pedir nada em troca - o nome disso é solidariedade; e) você foi proativo e conseguiu dar o seu jeito.
Fico feliz, meu filho, em ver que chegou a sua grande hora nesse processo de aprendizagem, acompanhado de perto em parceria com a escola. Entender e testar os modos de contornar os obstáculos no seu ambiente, por si mesmo, é uma etapa imprescindível para o seu crescimento. Eu não poderia tirar-lhe essa linda oportunidade.
Com essa experiência, você se abriu para o autoconhecimento, que possibilita desenvolver habilidades que lhe serão úteis por toda a vida. Para tomar diversas decisões, como o esporte a ser praticado, o curso universitário, a profissão a ser seguida, o emprego a ser aceito, quaisquer compromissos a serem assumidos, é preciso compreender não apenas as próprias virtudes, mas também detectar as dificuldades e encontrar maneiras de desafiá-las. É assim com muitas pessoas, comigo, com o seu pai, e não será diferente com você.  
Siga em frente no caminho da conscientização e da responsabilidade - você é capaz!  Te deixo três frases de Maria Montessori:
“O objetivo da Educação, no educando, é desenvolver a capacidade de consciência e responsabilidade.”
“Ajude-me a agir por mim mesmo.”
“Nunca ajude uma criança numa tarefa em que ela se sente capaz de fazer.

Da série: Para os meus filhos 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Retomada

Remando contra a correnteza -  o nome não é por acaso. Traduz tanto o momento que vivíamos quando o criei, quanto o modo como me sinto ao tentar cumprir minha maior missão.  Nos desafios dos últimos anos, foi bem custoso remar. A vontade de escrever vem e volta, a água continua vindo.... Hoje retomo meu blog em homenagem aos meus três tesouros, e ao meu parceiro de todas as horas. 
A seção “Para os meus filhos” é um projeto antigo, que tem como objetivo me fazer entender para os maiores interessados e os mais atingidos pela minha maneira de enxergar a vida. Antes eu educava apenas com base nas minhas crenças. Hoje eu educo com a perspectiva de uma mãe que passou da pretensão de conseguir estar presente o tempo todo, para a mãe que já saboreou o azedo da certeza da finitude. Essa experiência, tão dura, mudou minha forma de ver várias coisas, mas me fez fincar ainda mais em grande parcela do que eu já acreditava. E é nessa realidade que eu sigo criando meus filhos para o mundo. Não é o mundo ideal (para quem?). Todavia, é o que temos, e sua evolução depende de diversos fatores.
Inúmeras vezes questionaram minhas escolhas, minhas visões e meus métodos. Tenho o palpite de que continuarão. A resposta básica é: eu não tenho a verdade absoluta, não sei como meus filhos absorverão o que transmito, nem como usarão essa bagagem na vida adulta. Eu só quero perceber, lá na frente, que eu fiz o que estava ao meu alcance. E sim, eles provavelmente irão me indagar, me enfrentar, me culpar, me fazer enxergar os desacertos; talvez demais, talvez nem tanto, quem sabe... Nunca tive a pretensão de ser a mãe perfeita, erro com frequência, sou uma humana bastante crítica e realista.  
Quero muito, muito mesmo, registrar o processo da tireoide, para ajudar quem passa por situação parecida. Ainda é difícil colocar no papel, mas aos poucos a história vai tomar sua parte no caminho.
Espero, também, poder retribuir de algum modo o que venho aprendendo ao pinçar vivências aqui e ali: não existe poção mágica nem a receita ideal, o amor e a boa vontade não são exclusividade de determinados grupos. E por mais que essa modernidade de tribos tente te encaixar em um ou outro lado, fazendo ilações a seu respeito, você pode seguir seu próprio caminho na busca pelo que considera prioridade.
Claro, como o que eu escrevo raramente é programado e sai a qualquer hora, interrompendo a mais trivial tarefa doméstica, os textos continuarão misturados entre ficção, depoimentos e reflexões sobre variados temas.

“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.” (Bernardo Soares – F. Pessoa)

Apoiar ou substituir? O aprendiz como protagonista

Você não conseguiu terminar de copiar a tarefa da lousa, meu filho. A segunda vez em poucos dias. Nós sabemos de sua dificuldade. Você se esforça para superar essa vagareza há anos. E na semana passada, você teve a oportunidade de copiar do caderno de seu amigo, cuja foto foi enviada a pedido de outra mãe no grupo do Whatsapp. A questão não fotografada você ficou de pegar com a professora. 
E hoje, meu filho, eu te disse mais um não. Eu não vou pedir no grupo de mães que me enviem a foto do caderno dos filhos. Se você tivesse faltado à aula, por motivo de doença, talvez eu o fizesse. Mas você estava na escola. 
Sim, eu fotografo sua agenda, seus livros e seus cadernos quando outras mães pedem. Apesar de agir diferente com você, eu entendo os motivos delas e não me custa ajudá-las. 
Você, eu quero treinar para a autonomia. Como você bem disse, precisa aprender a ter responsabilidade. Quero que entenda a consequência de seus atos, que saiba lidar com suas dificuldades, e que consiga se comunicar, sem intermediários, na tentativa de corrigir o necessário. 
Para mim seria apenas um clique, para você será um desafio. Converse com a professora, peça emprestado para o colega, copie no intervalo, toque a campainha do vizinho de condomínio e pergunte se ele pode te ajudar. Peça o número do Whatsapp do amigo, para que vocês conversem sobre a tarefa através do meu telefone, já que você sabe os motivos de não ter o seu próprio. Enfim, dê o seu jeito.
Você é capaz, meu filho, como eu fui, de ser protagonista do próprio aprendizado. Terá sim meu apoio, mas não será substituído pelas minhas facilidades.
                                               
Da série: Para os meus filhos

terça-feira, 26 de julho de 2016

Dia dos Avós

Eu não me lembro de celebrar o Dia dos Avós na minha época de estudante. Foi como mãe, há pouco tempo, que conheci essa data especial.
A escola dos meus meninos faz, todo os anos, o Chá dos Avós. Não tem festa de Dia das Mães ou Dia dos Pais, e sim o Dia da Família. Mas a instituição sempre celebra os avós em específico.
E meus filhos, que têm pai e mãe presentes, veem, ano a ano, vários coleguinhas com os/as avós na data comemorativa. Avisam os seus por telefone, já sabendo que não poderão vir. Bom, eles tentarão aparecer no próximo aniversário. 
Mesmo assim, sem ter a companhia desejada, eles levam os comes e bebes, ensaiam a poesia, participam da comemoração. Se ficam tristes? Se gostariam de ostentar seus entes queridos naquele ambiente? Se sentem saudades? Claro que sim. 
Porém eles têm aprendido, desde cedo, que a frustração faz parte da vida. Que cada criança tem sua realidade, que cada família é de um jeito, que nós precisamos morar distante por causa de trabalho. Que em vez de pensar que não podem fazer visitas semanais, é melhor agradecer por ter os avós vivos e aproveitar os raros encontros possíveis. Já sabem, também, que o coração de quem lhes explica tudo isso se parte ao mostrar que, nesse aspecto, o mundo do coleguinha traz mais oportunidades de reuniões familiares, como a mamãe teve a sorte de vivenciar até vir para Brasília.
E não, eu nunca plantaria em suas mentes a ideia de que seria melhor a escola acabar com esse dia especial, privando seus coleguinhas de tamanha emoção junto aos avós. Assim é a vida, e hoje já pensamos no sabor do chá que eles levarão para os avós dos amigos beberem. 
Porque eu acredito que crianças são capazes de trabalhar suas frustrações e ver beleza na alegria de quem tem a vida diferente.

Escrevo porque preciso

Escrever é uma necessidade...  O pensamento chega, o texto se ajusta de forma meteórica e necessita ser externado. Um process...