quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Cada um no seu ritmo


  Não é porque alguns têm dificuldade no caminho que devemos deixar de estimular aqueles com potencial para seguir em frente.
 Todos merecem apoio, na medida da capacidade individual.
  Sem comparação e sem competição. 
  Sem  parar e sem frear. 
  Cada um no seu ritmo.


  30 de agosto de 2018



Dilemas

No revés,
atravessador
atravessa a dor
Através, a dor
A trave
Avessa dor
Ao invés,
refugador
refuga a dor

Fuga
Dor
Dilemas

29 de agosto de 2018


Terreno visado, cuidado dobrado

A sementeira da negatividade é resistente.
Encontrando solo fértil, nele semeia com desfaçatez, no esforço para alguma decepção instalar. 
Um dia, três semanas, a cada quatro meses, duas vezes ao ano... A frequência não importa. 
Para que a árvore da maldade se fortaleça basta que, a cada oportunidade, uma sementinha seja plantada.
Paulatinamente, sorrateiramente, uma nova semente, potencial broto.
É preciso muita perspicácia para detectar essas doações revestidas de sorrisos e sonhos, mas carregadas de cobranças e comparações. 
Importante não regar, não adubar as áreas invadidas, pois erva daninha cresce rápido e faz estragos irreversíveis.
O solo fértil, ingênuo, não consegue distinguir carinho de carência. Apesar disso, sofre com a sobrecarga de energia negativa, sem entender como a felicidade do semeador traria tanto peso para si.
Assim é o coração de uma criança. Terreno visado pelos dominados pelas paixões.
Compete ao adulto, terra batida, arada pela experiência e socada pela vida, observar a qualidade das sementes jogadas em direção à sua cria. 
Desse modo, é dever inescusável dos pais proteger os filhos de investidas descabidas, de contatos nocivos, de pessoas tóxicas. 
Inadmissível que, para manter a política da boa vizinhança, se submeta um inocente, ser em formação, à influência de mentes desequilibradas e insistentes.
Tudo tem um preço, é verdade. O rótulo de chato e intransigente está aí, para qualquer um colocar. Antes pagar pelo combate, do que ser omisso e ver um infante arcar com o resultado da ação de crescidos covardes.
Batalhas duradouras requerem coragem.


26 de agosto de 2018

A problemática do discurso do amor


Tempos agitados, posicionamentos fortes, disputa entre o bem e o mal, preocupação com o discurso de ódio.
Mas o que intriga, mesmo, é o discurso do amor.
O amor e a bondade, não raras vezes, são utilizados para propagar a aversão e justificar delitos. Já que ama o azul, pode esculachar quem prefere o cinza. Como é bom para alguns, pode corromper e ser corrompido. Os amorosos formam times, angariam torcidas e fazem discípulos. 
Num raio de persuasão menor, porém não menos importante, temos também o sublime sentimento. O motor das relações humanas. A chama que não se apaga em meio à tempestade. A inspiração que traduz a beleza maior do ser.
Ah, o amor... Ao mesmo tempo, arma e armadura. 
Os brados:
"Porque amo e sei o que é melhor para você, posso desconsiderar seu sentimento. Não preciso compreender o que me diz."
"Porque amo, eu mereço ser feliz, embora minha felicidade custe o seu sorriso."
"Porque amo, você precisa acatar cegamente os meus caprichos."
"Porque amo, eu não erro com você. Não quero ouvir suas reclamações sem sentido."
"Porque amo, sou emoção. Não aceito sua razão." 
Bastante cômodo pensar que o amor é um antídoto contra equívocos. Confortável acreditar que quem ama não erra, não fere, não agride, não ignora o alvo da devoção.
Amar. Armar. Armadura. Alma dura.
Discurso cínico, autocentrado, que se fecha para o diálogo, para o conhecimento do outro, para a solução de problemas. Ouvido que se tapa para o choro, coração que não amolece diante da objeção, olho que cerra para ignorar o apelo, cérebro que não legitima a raiva alheia.
Confusão que transforma o devoto em santo, que cultua o próprio sentimento, que não admite o distanciamento saudável, que cobra do ser amado a idolatria. A igreja do amor egoísta, insensível, que não transcende as palavras, tendo como resultado prático a aflição.
Mais eficiente que o amor é o respeito. Este, sim, é casaco que se abre para a conversa, venha ela em forma de brisa ou ventania; é trem que enxerga a hora de partir.
Os acatamentos:
"Amo, mas posso não saber o que é melhor para você. Porque respeito, preciso considerar seu sentimento, sua história, seu momento."
"Amo e mereço ser feliz. Porque respeito, sei que minha felicidade não deve custar o seu sorriso."
"Amo, mas você não precisa acatar cegamente os meus caprichos. Porque respeito, anotarei os seus limites."
"Amo. Contudo, sei que também erro. Porque respeito, consigo processar suas reclamações."
"Amo e sou pura emoção. Entretanto, porque respeito, posso entender sua razão." 
Geralmente, é mais fácil ser respeitado pelo inimigo declarado, do que por alguém que falseia adoração. 
Quem ama não pode tudo. 
O amor não deve ser usado como escudo.
Quem precisa se proteger encontra um jeito.
Respeitar é expressar o amor no peito.

21 de agosto de 2018

Frustração, um aprendizado


O segredo é aprender a lidar com a frustração.
Se você quer aproveitar somente os momentos felizes e desiste no minuto em que algo desagradável ocorre, perde uma grande oportunidade: a de progredir.
Abandonar o processo diante do primeiro obstáculo é dar-se por vencido, na infrutífera tentativa de sentir-se sempre bem.
Siga o exemplo daqueles que sentem a dor, cambaleiam, até caem e reclamam, mas superam e retornam ao campo para continuar a partida. Eles aproveitam o infortúnio para vencer a batalha do fortalecimento emocional.
As propagandas da felicidade plena são tentadoras e nos iludem com a expectativa do sorriso constante. 
Acontece que a grande maioria dos eventos é recheada de sensações distintas, como alegria, medo, tristeza e raiva. É preciso aprender a tirar proveito da risada, do espanto, da lágrima, do urro, da queda, do sol e da tempestade.
Nascemos para enfrentar o mundo, que a cada dia traz um desafio. Não espere que tudo aconteça conforme você deseja. Não pense que você estará sempre contente e conseguirá abandonar um grupo, um curso, um trabalho, um relacionamento, logo na primeira decepção. Nada é assim tão simples de se descartar. 
Às vezes, é necessário dar um passo para trás e pegar impulso para seguir em frente.
Aquele que ambiciona ser feliz a todo tempo e a qualquer custo pode ter uma única certeza na vida, meu filho: sofrerá muito.
Pense bem. Não desperdice a chance do progresso.

Da série: "Para os meus filhos"

1 de agosto de 2018



Filtro íntimo

A questão não é negar o que se sente.
O desafio é controlar o que se faz com o que se sente.
Agir impulsivamente é instinto.
Analisar o sentimento é moderação.
Dominar as atitudes é razão.
A satisfação pessoal tem um custo, sempre.
Sinta, analise, pense, decida, aja, assuma.
É honroso arcar com as consequências, sem esconder-se na oportuna falta de intenção.
Atente-se. Use o filtro íntimo. Seja racional, trabalhe a emoção.


Da série "Para os meus filhos"

26 de julho de 2018



Escrevo porque preciso


Escrever é uma necessidade... 
O pensamento chega, o texto se ajusta de forma meteórica e necessita ser externado. Um processo tão rápido quanto intenso, incontrolável, que não admite um diário trancado.
Escrevo porque preciso. Escrevo porque sinto. Escrevo para mim, no rascunho da linha do tempo. Escrevo por mim, pois a timidez perdeu a batalha para a vocação. Escrevo porque transborda a luta interna.
Ainda me admira quando alcanço os outros. A dificuldade em responder faz parte do processo de me acostumar com a exposição. A metamorfose é inevitável.
Gratidão pela leitura das minhas palavras, que fluem na forma de ideias que deixam o casulo. São borboletas e precisam voar. 
Fernando Pessoa resumiu bem. Escrever é diminuir a febre de sentir.

5 de julho de 2018


Escrevo porque preciso

Escrever é uma necessidade...  O pensamento chega, o texto se ajusta de forma meteórica e necessita ser externado. Um process...