quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Ah...



Ah, aquele abraço gostoso, que deixa o corpo cair na leveza do alívio... O sorriso sincero, o brilho nos olhos ao ouvir um 'estou melhor'... Como é lindo, como é difícil...
A preocupação constante se a mãe está doente. A comparação com a boa saúde do pai, aos olhos de um menino. A constatação de que ela antes não ficava tanto tempo na cama, não tinha tanto mal-estar e não reclamava muito de dor de cabeça. A conversa entre os irmãos no café da manhã, lembrando do susto/medo quando viram o cabelo curto, que comprido é mais bonito...
Nenhuma criança deveria passar por isso, por anos seguidos. Mas é só tomar um remedinho e vida normal, né.

02 de março de 2017

Democracia fajuta

A arrogância da ditadura de opinião não tem limites.
Quer ver gente arrotando ideologia, cobrando do outro o que não faz, pelo bem da comunidade? 
Quer ver como o olhar sobre as regras muda quando se passa de situação para oposição?
Quer ver gente desrespeitando norma que ajudou a criar, só porque não está mais no comando? 
Quer ver gente querendo condenar o outro por fazer algo lícito, que era costume na gestão do julgador?
Quer aguentar gente te dando orientações, te puxando pra um lado do muro, desconsiderando que você também raciocina e tem direito de agir conforme sua consciência? 
Quem precisa de discussão em timeline, quem se ilude com uma bomba no Congresso...
Quer entender como é a democracia fajuta? Viva em condomínio.


28 de abril de 2017

Diário de uma pessoa deslocada nesse mundo cão


Diário de uma pessoa deslocada nesse mundo cão:
Em Brasília, Carnapet com direito a desfile de fantasia animal e cineminha de interesse da plateia majoritária, com o filme 'A dama e o vagabundo'. Me pergunto qual seria a marchinha mais apropriada para o bloco. 
Na chamada de uma notícia sobre hospital veterinário: 'Atenção, mamães de pets'. Vem a leitora nos comentários: 'Por que só a mamãe? O papai tem que participar também!'. Vejo que a problemática sobre a igualdade de gênero chegou na missão de levar o filhote para a tosa.
No supermercado, a ração já está na gôndola ao lado da dos salgadinhos Elma Chips. Penso que minha profecia de que um dia a ração estará na prateleira da papinha Nestlé e do Leite Ninho está prestes a se cumprir. 
No restaurante, a mulher não satisfeita em carregar o baby dog no colo enquanto almoça, o coloca sobre a mesa na qual os próximos clientes apoiarão seus pratos. Chamo o garçom e peço para trocar a toalha. 
No Mineirão, o evento é a inauguração da 'Arcãobancada', com direito a comidinhas e brinquedinhos. Fico na dúvida se no estádio já existe um espaço vip para crianças (filhos humanos dos torcedores). Também imagino quando será formada a torcida organizada canina e qual será o latido de guerra.
Ainda a tempo de lembrar do vídeo ensinando a ler para o cãozinho desde a mais tenra idade, fico no aguardo de mais novidades do mundo animal.

PS: Não posso deixar de citar o ensaio fotográfico gestante, estrelando a cadela, numa nova abordagem da maternidade. Quando vejo, quase chego a me culpar por não ter feito nenhum.


21 de abril de 2017

Fora do quadro?


Tantos profissionais são extremamente apegados às suas crenças e ao seu 'modus operandi', que fazem de tudo para encaixar os pacientes/clientes no mesmo quadro. A intenção é facilitar sua vida, seu trabalho, e não auxiliar quem os busca pelo conhecimento técnico.
Seria preguiça em estudar o caso daquele cujos sintomas não desaparecem ou que desafiam o bom andamento do sistema? Seria soberba ao pensar que conhece mais o interlocutor do que ele próprio e pode direcionar seu caminho pela via contrária? Seria falta de humildade em reconhecer que desconsiderou a receita e no bolo faltou fermento?
São anos confirmando meu pé atrás com certas profissões, que empoderam o ser humano falho e controverso para ditar regras sobre a vida do outro... Vidas conturbadas e falta de compaixão escondidas atrás de um diploma ou cartão de visitas, iludindo quem busca a solução para problemas mais simples que o alardeado pelos 'experts'.
É o ditado, sempre um olho no peixe e outro no gato. O profissional dedicado e hábil a te auxiliar pode estar a um passo; basta você se desvencilhar daquele que não respeita sua realidade. 
Enquanto não lutamos para sermos enxergados, nada muda. Se insistimos e brigamos, podemos fazer com que muitos passem a ser vistos.


29 de março de 2017

Lições do caminho


Essa é uma história verídica, que eu não consigo florear.
Há cerca de um ano e meio, eu passava por um dos piores momentos de minha vida. Na fase de adaptação ao hormônio sintético da tireoide e lidando com os efeitos de uma medicação horrorosa, eu fazia o impossível para manter a rotina dos meninos e desempenhar um bom trabalho no tribunal.
Nesse dia eu estava tão visivelmente mal, que fui abordada por um senhor na rua, oferecendo ajuda. Agradeci e entrei na escola de judô. Precisava ir para casa descansar, mas resolvi fazer mais um esforço e assistir à aula, junto às várias outras pessoas que acompanhavam os seus.
Eis que uma total desconhecida me questionou sobre religião. Ouvindo que me considero espírita apesar de ter crescido no catolicismo, ela começou a desfiar os defeitos da primeira e as perfeições da segunda (sua escolhida, claro). Tentei estabelecer um diálogo, mas como não foi possível, fiquei quieta e me recolhi. Não precisava me enfiar num embate do tipo; cada um com sua crença.
Aula finalizada, meus meninos chegaram com um abraço. A mulher, em alto e bom som, na frente de tantas pessoas, bradou: “Nossa, mas você tem três meninos tão lindos! Você tem que levá-los para a igreja. Você precisa ser uma boa mãe! Volte, volte para sua família. Você precisa voltar para sua família.” Atônita, apenas respondi que ela não pode falar do que não conhece e saí, custando a acreditar no que via. 
Coloquei os meninos no carro e voltei pra falar rapidamente com o professor sobre um agressor contumaz, que nunca era repreendido adequadamente. Mais estresse. Na saída, a surpresa. A mulher levantou-se e me perseguiu, gritando aquelas palavras até chegar no carro. Pedia perdão, pedia desculpa, mas não deixava de me atormentar. Não satisfeita após o fechamento da porta, insistiu com o rosto colado na janela. Meninos chocados no banco de trás. 
Minhas palavras diante de tanta insensatez foram: “Você não me conhece, não sabe nada do que eu estou passando, muito menos a mãe que sou. Se fosse uma cristã de verdade, me respeitaria e não faria o que está fazendo. Isso não é ser cristão. Vá você confessar para o seu padre esse absurdo e rezar suas mil orações; me deixe em paz. E saia daí, se não eu vou te atropelar.” 
Arranquei com o carro, os meninos chorando de tão assustados, minhas pernas tremendo. Eu, que já não sou uma motorista espetacular, segui como conseguia, explicando para os meninos o que tinha acontecido. O pouco equilíbrio que me restou após a cirurgia já tinha ido embora, e eu tirei forças não sei de onde.
Após esse enorme transtorno, foi possível chegar em casa e desabar? Claro que não. Entre as náuseas e os devaneios que o remédio me trazia, eu tinha que dar o almoço, preparar o lanche, arrumar as crianças para a escola e me vestir para o trabalho. 
E a vida seguiu, não sem me mostrar que aquela mulher, a quem nem consigo atribuir a qualidade de louca varrida, é a personificação de muitos fanáticos que nos rodeiam. Fanáticos por qualquer religião, pelo estilo de vida saudável, pela filosofia de como criar os filhos, pela ideologia política, que se consideram superiores a ponto de te ensinar o que é melhor para você.
Vou dizer o que tenho aprendido.
Essas pessoas não querem conversar para entender a fundo o que você passa. Não fazem um esforço para perceber que a receita milagrosa e a reportagem sobre como se livrar de um futuro câncer te fazem sofrer, já que não se preocupam se você enxerga isso como a culpabilização do doente. Pouco se importam se seus desabafos em rede social são válvulas de escape para não entrar em medicações cujas reações adversas você conhece muito bem, pois é fácil desmerecer sua linha de raciocínio e pedir para você aprender, ler direitinho, pensar com carinho, ou te acusar de qualquer segmentação da moda.
No fim das contas, tais indivíduos estão se lixando para a sua evolução e para a forma como você enfrenta o SEU problema, que lhe demanda muita luta, energia e autoconhecimento, sendo mal compreendido até por quem compartilha sua intimidade. 
Da mesma forma que aquela senhora me abordou tempos atrás, pessoas que agem assim apenas querem se sentir bem. Como elas se sentem bem? Fingindo que você não tem nada ou não aceitando de coração as consequências do que você tem. Abusando do direito de aconselhar, na tentativa de fazer prevalecer sua fé, tolhendo o direito do outro de se dirigir conforme suas próprias crenças. Te trazendo mais peso, mais desequilíbrio e mais caraminhola para colocar na cabeça, insistindo na receita para resolver o seu problema. Te tirando a paz que você tanto almeja, mas custa a segurar por alguns minutos.
A ajuda verdadeira não se impõe para acalentar a alma do ajudante. Ela se curva ao necessitado para oferecer o que ele consegue receber, mesmo que o iluminado auxiliar acredite que tudo está sendo feito errado. Ninguém é dono da verdade nem mensageiro de nada, a não ser das próprias experiências. E onde não se pode socorrer com compaixão, não se deve permanecer por muito tempo. 
Aquela mulher eu nunca mais vi, e tenho certeza que o favor que ela me fez é bem diferente do ensinamento que ela pretendia me dar.
Essa é apenas uma das tantas histórias e lições aprendidas, que eu faço questão de guardar na bagagem enquanto marcho rumo à libertação. As memórias ficam para me lembrar onde eu não preciso mais pisar e do que eu tenho que me proteger. E eu vou seguir o meu caminho. Quem entender, bem; quem não entender, melhor ainda.

3 de março de 2017

Au au body


Eu nas férias. Primeiro passeio pela Brasília alternativa. 
Chego na loja e pergunto se tem body para bebês. Vendedora aponta a única arara no ambiente, e diz que todos são tamanho M - para cerca de 6 meses de idade.
Dentre os modelos super descolados, vejo um com estampa do Kiss. Que legal! Chamo os meninos pra ver, e observo que a parte de trás do negócio é aberta - um círculo com as barrinhas reforçadas. Que diferente! Como será que usa? Será pro bumbum do neném respirar? Ou pra alguma fralda moderna que não conheço?
Vem a moça e diz: na verdade, esse body é pra cachorro. 
Gente, nem consigo descrever minha cara de 'não sou desse mundo e só faltava essa pra finalizar 2016'. Pelo menos da boca saiu um "ah, que interessante", e bora olhar outras coisas. 
Supermercados que separam as prateleiras, vocês estão ultrapassados. Aguardando o dia em que encontrarei ração Purina na mesma gôndola da papinha para bebê e do leite Ninho. Afinal, é tudo Nestlé.


22 de dezembro de 2016

Empoderamento infantil

Não há amizade, consanguinidade, afinidade e amor alardeado que justifiquem uma pessoa se submeter aos caprichos e dificuldades emocionais da outra. 
Aqui, a noção de respeito ao indivíduo e a educação para a diversidade vêm desde o berço. Empoderamento infantil para entender os infortúnios, lidar com as adversidades e se proteger das bestialidades. 

29 de novembro de 2016

Escrevo porque preciso

Escrever é uma necessidade...  O pensamento chega, o texto se ajusta de forma meteórica e necessita ser externado. Um process...