quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Empoderamento infantil

Não há amizade, consanguinidade, afinidade e amor alardeado que justifiquem uma pessoa se submeter aos caprichos e dificuldades emocionais da outra. 
Aqui, a noção de respeito ao indivíduo e a educação para a diversidade vêm desde o berço. Empoderamento infantil para entender os infortúnios, lidar com as adversidades e se proteger das bestialidades. 

29 de novembro de 2016

Só cuida dele?


Coração palpita ao ouvir a apresentadora perguntar pra uma mãe: "E hoje, você não trabalha? Só cuida dele?"
Por isso eu digo: pode ser moderna, descolada, dar uma de defensora do empoderamento feminino, se intitular ativista de qualquer coisa. Mas se pensa assim de quem fica em casa com os filhos, não me representa. Só demonstra o desrespeito pelas mulheres mães, babás, avós, tias, que "não trabalham" para que muitas outras possam ir à luta que dá ibope. 
Até porque ninguém contrata homem pra cuidar da cria ou limpar a casa, né mesmo?!


24 de novembro de 2016

Relíquia - Produções de uma aluna


Relíquia dos tempos de Pestalozzi - um livrinho feito na 5ª série.
Que emoção ler a apresentação do livro, elaborada por meu pai e minha mãe: "O leitor amigo, encontrará neste pequeno livro, a imaginação fértil de uma escritora de apenas 12 anos de idade, apresentando em vários textos gostosos e divertidos, a sua capacidade de em tempos futuros, nos alegrar ainda mais com a sua simples criatividade. O leitor também verá aqui, o resultado dos trabalhos eficientes de seus mestres escolares, sem os quais nada disso seria feito. Fica então, registrado aqui o agradecimento sincero de seus pais, Jorge e Selma, que muito se orgulham de ti. Parabéns!"
Destaco o respeito e a valorização dos professores, que eles sempre nos ensinaram. 
Obrigada, pai Jorge Luís Ávila pelo exemplo de gosto pela leitura, e por tantos outros. Obrigada, mãe Selma Ávila (a professora que decidiu se dedicar a três alunos), pelos preciosos ensinamentos passados na rotina de dias inteiros, ao fazer do seu lar a sua sala de aula. A melhor escola que eu tive!

16 de novembro de 2016




Cara de livro


Chega uma fase da vida em que você pode parar de tirar todas as dúvidas e repetir sem cansar: 
"Tá me achando com cara de livro? Vai procurar no dicionário."
Moleque chia, mas volta com a resposta na ponta da língua. 
Libertação e seletividade. É a delicadeza materna colaborando pra autonomia no aprendizado, hehe.


14 de novembro de 2016

Pena


Entre acusado e culpado existe uma grande diferença. 
E como é fácil, com o teclado na mão e um público ávido por fofoca, jogar acusações ao vento. 
A um, a crença cega de que fala a verdade. Ao outro, nem o benefício da dúvida, mesmo que haja alguma tentativa de esclarecimento. 
Na língua do povo bom e justiceiro, a pena. 
Que pena.


10 de novembro de 2016




Bom dia? Das Bruxas!!!


Segunda-feira. Bom dia. Beijos na testa. 'Vão se vestir. Falem baixo que seu irmão está dormindo'. 
Passo pelo corredor. Menino com máscara do Venom, capa preta e espada ninja. Quer pregar uma peça no outro. 'Tá bom, mas não acorda o caçula'. Ficará na porta do quarto esperando. 
Sigo para a cozinha. Tentativa de preparar o café da manhã. De repente, três vozes:
__ Aha!
__ Aaaaaiiiii! Aaaahaaah! Aaaaaaiiiiii! Aaaahaaaah!
__ O que é isso!?
Saio correndo. Os gritos apavorados não param. Pego no colo, sento no sofá. Abraço forte. Menino em pânico - tosse, engasgo e lágrimas. 'Vai buscar água gelada'. 
O mais velho ao lado, com as pernas tremendo de tanto medo ao ver a reação do caçula. 
O fantasiado já de rosto à mostra, lábios roxos de espanto pelo resultado do susto que deu no irmão. Justificativas e mais justificativas - foi porque ele quase teve um piripaque. Risos. O feitiço virou contra o feiticeiro. 
Lágrimas cessando, pernas ainda bambas, boca corada. 'Agora vão comprar pão'. 
Pego o rato de plástico para o pequeno colocar no armário e surpreender o outro. Ajudo a escolher fantasia. Respiro. Eu deveria ter previsto. 
Tentativa de preparar o café da manhã. Cardiologista pra quê? O coração da mãe vai bem, obrigada.
Feliz Dia das Bruxas. Aprendemos a lição.

31 de outubro de 2016




Dia do Servidor Público


Deixei o serviço público para servir minha família e atender aos meus anseios de maternidade, com a expectativa de voltar, um dia, a me dividir entre lar e qualquer trabalho remunerado.
Durante os anos em que nenhuma revista eu conseguia abrir, quiçá um livro, toda vez que passava em frente à sede do TJDFT eu pensava que aquele seria o lugar ideal pra mim: o Judiciário tão almejado, perto de casa e num horário que possibilitaria a dedicação aos meninos no contraturno escolar (da qual eu não abriria mão).
Caçula crescendo, surgiu o concurso em 2013, que eu resolvi prestar apenas para ver como era a prova. Sem tempo para estudar, nem intenção de voltar ao mercado antes do pequeno fazer quatro anos. No dia da prova, com a cara de pau de quem não havia estudado em meio a tantos candidatos dedicados, eu só pedia a Deus que não me deixasse ir tão bem, pois não queria tirar o lugar de ninguém. Essa foi minha única oração. Sabia que se fosse chamada antes do Renato entrar na escola eu não iria tomar posse, e meu projeto de mãe em tempo integral era inabalável. Da música que permeou meus pensamentos em cada questão respondida, eu não me lembro. 
Realizei-me com a classificação distante, e fiquei aliviada por não correr o risco de atrapalhar alguém que precisasse mesmo da vaga - claro que eu não seria chamada. Ingenuidade, eu sei. Coisa de paulista do interior que não pertence ao mundo dos concurseiros.
Minha ilusão logo cairia por terra... Quem era eu para dizer quando meu menino entraria na escola? Como pode uma mãe se sentir no controle de seu destino e do seu papel na vida dos filhos? Foi assim, com a contrariedade de matriculá-lo um ano antes do programado, lidando com as adversidades e a culpa pela incapacidade de fazer pelas crianças tudo o que gostaria, que eu comecei a entender aquelas minhas sensações. Na aventura diferente da que eu programara, aquele seria meu lugar, uma vaga era a minha.
Dois anos depois, o choro ao ver minha nomeação era mais de desespero que de alegria. Como eu tomaria posse sem saber se aguentaria? Por que eu não assinei o termo de desistência e dei oportunidade para o próximo da lista, num concurso que chegava ao fim? Mas diante de tamanha conspiração do universo e da luta de um grupo de candidatos pela convocação, como eu desistiria sem ao menos tentar? 
Graças ao empurrão do amor da minha vida, que me aconselhou a seguir em frente, hoje tenho um ano e quatro meses de TJDFT. Lugar onde tenho a sorte de trabalhar na área fim, de chegar com processos na mesa, me ocupar toda a tarde e sair sabendo que amanhã terei muito mais a fazer. Local onde encontrei o médico que me ouviu e me tirou de um sufoco imenso. Instituição que faz questão de enfatizar, desde o primeiro dia, que nossa principal função é servir o público - interno e externo. Onde todos do outro lado do balcão são doutores, independentemente de formação.
Olho para o Palácio da Justiça e não acredito que fui parar ali. Ainda tenho receios antes de sair de casa e sinto um frio na barriga quando subo as escadas do fórum. Mas sigo na vibração do "um dia de cada vez" e agradeço, no fim da noite, por ter conseguido.
Orgulho de ser servidora, esposa de servidor, numa cidade povoada por servidores locais e de todos os cantos. O serviço público, para quem cumpre seu papel, é uma missão agridoce e abençoada.

28 de outubro de 2016

Escrevo porque preciso

Escrever é uma necessidade...  O pensamento chega, o texto se ajusta de forma meteórica e necessita ser externado. Um process...