terça-feira, 28 de outubro de 2025

Meu pai

 

Meu pai, Jorge, é nosso grande exemplo de honestidade, força, resiliência, dedicação à família, comprometimento e honradez.

Meu pai, leitor voraz, curioso pelo universo e pela espiritualidade, que me presenteou com um livro de catecismo espírita na infância, me tirou uma dúvida sobre o Espiritismo na nossa última conversa pelo WhatsApp.

Meu pai, desde muito jovem, desafiou prognósticos médicos e superou vários obstáculos. Nosso Highlander criou os três filhos, acolheu sua nora e seus genros, viu os cinco netos chegarem à adolescência e tornou-se referência para muita gente.

Meu pai, trabalhador desde os 12 anos de idade, labutou bastante, dirigiu sua Caravan, caçou, pescou, cozinhou arroz com suã e outras delícias, fritou torresmo, cultivou parreiras e belíssimas orquídeas. Orquidófilo de mão cheia e guardião da pracinha, brindou-nos com um frondoso flamboyant e plantou diversas árvores, inclusive uma com cada neto.

Meu pai, amante e profundo conhecedor da moda de viola, compôs a música Feitiço dos Pescadores, inspirada em seu rancho no Samburá, de onde ele trazia as curimbas que assava para a família.

Meu pai, homem de gênio forte, sempre manteve o controle de tudo e ensinou muito até nos seus últimos momentos de vida terrena.

Meu pai, apelidado de Billy Dé, foi o xerife do bairro, atirou em ladrão, pregou peças nos familiares e amigos, tinha um copo babão. Ao mesmo tempo bravo e brincalhão, deixou muitas histórias para contar.

Meu pai, que cumpriu lindamente sua missão, segue sua jornada em paz no outro plano, sempre presente nos nossos corações.

Meu pai, que gostava de ter todos embaixo de suas asas, dizia que minha mudança para Brasília foi a origem de sua insônia. Isso inspirou minha dedicatória no livro Cristo, de Pietro Ubaldi, que dei para ele em 2005.

Como eu disse para ele dias atrás, hoje a realidade é outra, mas aquela dedicatória permanece. Eu sei que a ausência física nada significa diante da proximidade de nossas almas.

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