Meu
pai, Jorge, é nosso grande exemplo de honestidade, força, resiliência,
dedicação à família, comprometimento e honradez.
Meu
pai, leitor voraz, curioso pelo universo e pela espiritualidade, que me
presenteou com um livro de catecismo espírita na infância, me tirou uma dúvida
sobre o Espiritismo na nossa última conversa pelo WhatsApp.
Meu
pai, desde muito jovem, desafiou prognósticos médicos e superou vários
obstáculos. Nosso Highlander criou os três filhos, acolheu sua nora e seus
genros, viu os cinco netos chegarem à adolescência e tornou-se referência para
muita gente.
Meu
pai, trabalhador desde os 12 anos de idade, labutou bastante, dirigiu sua
Caravan, caçou, pescou, cozinhou arroz com suã e outras delícias, fritou
torresmo, cultivou parreiras e belíssimas orquídeas. Orquidófilo de mão cheia e
guardião da pracinha, brindou-nos com um frondoso flamboyant e plantou diversas
árvores, inclusive uma com cada neto.
Meu
pai, amante e profundo conhecedor da moda de viola, compôs a música Feitiço dos
Pescadores, inspirada em seu rancho no Samburá, de onde ele trazia as curimbas
que assava para a família.
Meu
pai, homem de gênio forte, sempre manteve o controle de tudo e ensinou muito
até nos seus últimos momentos de vida terrena.
Meu
pai, apelidado de Billy Dé, foi o xerife do bairro, atirou em ladrão, pregou
peças nos familiares e amigos, tinha um copo babão. Ao mesmo tempo bravo e
brincalhão, deixou muitas histórias para contar.
Meu
pai, que cumpriu lindamente sua missão, segue sua jornada em paz no outro
plano, sempre presente nos nossos corações.
Meu
pai, que gostava de ter todos embaixo de suas asas, dizia que minha mudança para
Brasília foi a origem de sua insônia. Isso inspirou minha dedicatória no livro
Cristo, de Pietro Ubaldi, que dei para ele em 2005.
Como
eu disse para ele dias atrás, hoje a realidade é outra, mas aquela dedicatória
permanece. Eu sei que a ausência física nada significa diante da proximidade
de nossas almas.