terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Presença na ausência

 

Nos dias chuvosos e barulhentos,

é possível apreciar a beleza das plantas,

desfrutar da umidade em essência

e ouvir o canto dos pássaros.

É preciso enxergar a luz dos dias nublados.

Há muita presença na ausência.


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terça-feira, 28 de outubro de 2025

Meu pai

 

Meu pai, Jorge, é nosso grande exemplo de honestidade, força, resiliência, dedicação à família, comprometimento e honradez.

Meu pai, leitor voraz, curioso pelo universo e pela espiritualidade, que me presenteou com um livro de catecismo espírita na infância, me tirou uma dúvida sobre o Espiritismo na nossa última conversa pelo WhatsApp.

Meu pai, desde muito jovem, desafiou prognósticos médicos e superou vários obstáculos. Nosso Highlander criou os três filhos, acolheu sua nora e seus genros, viu os cinco netos chegarem à adolescência e tornou-se referência para muita gente.

Meu pai, trabalhador desde os 12 anos de idade, labutou bastante, dirigiu sua Caravan, caçou, pescou, cozinhou arroz com suã e outras delícias, fritou torresmo, cultivou parreiras e belíssimas orquídeas. Orquidófilo de mão cheia e guardião da pracinha, brindou-nos com um frondoso flamboyant e plantou diversas árvores, inclusive uma com cada neto.

Meu pai, amante e profundo conhecedor da moda de viola, compôs a música Feitiço dos Pescadores, inspirada em seu rancho no Samburá, de onde ele trazia as curimbas que assava para a família.

Meu pai, homem de gênio forte, sempre manteve o controle de tudo e ensinou muito até nos seus últimos momentos de vida terrena.

Meu pai, apelidado de Billy Dé, foi o xerife do bairro, atirou em ladrão, pregou peças nos familiares e amigos, tinha um copo babão. Ao mesmo tempo bravo e brincalhão, deixou muitas histórias para contar.

Meu pai, que cumpriu lindamente sua missão, segue sua jornada em paz no outro plano, sempre presente nos nossos corações.

Meu pai, que gostava de ter todos embaixo de suas asas, dizia que minha mudança para Brasília foi a origem de sua insônia. Isso inspirou minha dedicatória no livro Cristo, de Pietro Ubaldi, que dei para ele em 2005.

Como eu disse para ele dias atrás, hoje a realidade é outra, mas aquela dedicatória permanece. Eu sei que a ausência física nada significa diante da proximidade de nossas almas.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Larissa, a bebê reborn - uma história verídica

Em homenagem ao Dia Internacional da Família, uma história verídica com bebê reborn.

***

Era início dos anos 2000, tempo de renovação e expectativas.

Afonso, o primeiro filho a se casar, recebeu a missão de realizar o sonho de seus pais: ter uma neta. Deveria ter a filha que os pais sempre desejaram, mas nunca tiveram.

Afonso e sua esposa planejavam ter filhos; porém, não faziam questão de sexo - meninas e meninos seriam bem-vindos e amados.  

Mesmo discreto, Afonso compartilhou com a família a predileção pelo nome Larissa, e combinou com a esposa que, caso tivessem uma menina, ela assim se chamaria.

Fora isso, Afonso não dava satisfação dos planos do casal para os familiares, tampouco alimentava o sonho de seus pais. Jamais se comprometeu a dar-lhes uma neta.

No entanto, a mãe de Afonso tinha pressa. Queria ser avó, mas vovó de uma menina. Perguntava, cobrava, azucrinava:

- Quando vai chegar minha netinha?

O casal desconversava, mas a pessoa era insistente. A todo instante, voltava com a cobrança inconveniente. Tinha pressa. Não respeitava o tempo dos outros. Queria sua neta.

Certo dia, Afonso recebeu um e-mail da genitora, que assim dizia:

“Já que você não me dá uma neta, eu providenciei a minha Larissa!” 

Abaixo da mensagem, a foto de uma bebê reborn. Larissa era uma boneca reborn toddler!

Larissa, a potencial filha de Afonso, nascera. Não chegou na família pelos meios tradicionais. Chegou chegando, surpreendendo Afonso e sua esposa, que até hoje não sabe se foi mãe ou madrasta.

Que fique claro - Larissa foi, sim, muito desejada. Ela foi planejada nos mínimos detalhes pela vovó, que encomendou a boneca caríssima com as características físicas que sonhava para a neta.

Jamais digam que Larissa foi obra do acaso!

Diante da inesperada chegada do novo membro da família, Afonso e sua esposa  determinaram que, se viessem a ter uma filha, eles jamais a chamariam de Larissa.

Um belo dia, Afonso foi visitar a mãe. 

- Afonso, meu querido! Venha conhecer a Larissa! 

E lá estava a boneca, sentada, quietinha, no antigo quarto de Afonso.

- Não é a sua cara, meu amor? Puxou à vovó! Vamos, segura a Larissa…

E assim Afonso conheceu a tão sonhada neta de sua mãe. Não se sentia pai. Recusou-se a pegar Larissa no colo, apesar do incentivo da vovó.

Voltou para casa e deixou Larissa com a avó amorosa.

Nas férias de final de ano, Afonso se encontrou com Larissa novamente. Dessa vez, acompanhado da esposa, que não foi formalmente apresentada à boneca.

Todos prontos para o jantar. Quem aparece? Larissa, nos braços da vovó!

Claro que a netinha acompanharia o momento especial!

No restaurante, vovó providenciou a cadeirinha infantil para Larissa. 

- Um copo de suco de laranja, por favor. É para minha netinha.

O garçom, profissional, seguiu as orientações e colocou a bebida em frente à boneca. 

Vovó, feliz, aproveitou a noite com a família reunida.

Dias depois, num encontro com amigos, Afonso comentou o episódio do restaurante.

Matias, atônito, questionou a senhora:

- Mas pra que isso? Você já não tem um cachorro?

Ao que a mãe de Afonso respondeu, firme e segura de si:

- Claro que tenho! Mas o Doguíneo é meu filho. A Larissa é minha neta!!!

Os anos se passaram, Afonso teve filhos e, apesar dos incansáveis pedidos, ficou devendo a menina para sua mãe.

De netinha na família, por enquanto, segue reinando Larissa, a bebê reborn.

*Estrelando: Dona Zelda, uma mulher à frente do seu tempo. A precursora das mães de pet e das avós de bebê reborn.



Escrevo porque preciso

Escrever é uma necessidade...  O pensamento chega, o texto se ajusta de forma meteórica e necessita ser externado. Um process...